Análise • Publicação VAELITH: 19/10/2026.
O projeto de requalificação da drenagem do campus Zeferino Vaz e do HIDS Unicamp, divulgado em 23 de março de 2026, oferece um caso para discutir como avaliar infraestrutura verde. Naquele momento, a universidade informava ter concluído o diagnóstico inicial e estar escolhendo soluções adequadas a cada local. Esta análise retoma essa proposta; não anuncia uma nova entrega de obras.
O plano considera jardins de chuva, coberturas vegetadas, pavimentos permeáveis e recuperação de cursos d’água. Entre as metas apresentadas para 2030 estão elevar de 10% para 22% a proporção de pavimentos permeáveis e recompor 3,5 mil metros quadrados de vegetação nas margens dos córregos. A universidade também mencionava estudar a incorporação dessas soluções a projetos com recursos, como ruas compartilhadas.
Esses números descrevem intervenções pretendidas. Para avaliar o resultado hidráulico, será preciso relacioná-los à água que cada área recebe, armazena, infiltra e encaminha à rede. Um percentual de superfície permeável não equivale automaticamente ao mesmo percentual de redução de alagamentos. A localização da intervenção e sua conexão com o restante da drenagem precisam entrar na comparação.
Há uma referência nacional para estruturar esse acompanhamento. A Norma de Referência ANA nº 12/2025, publicada em março de 2025, trata os serviços urbanos de drenagem como um conjunto que inclui planejamento, implantação, operação e manutenção. Ela prevê dimensionamento das infraestruturas verde, azul e cinza para a chuva de projeto e contempla monitoramento de chuva, vazões e qualidade da água. Aqui, a norma serve de referência de gestão, sem presumir sua incidência direta sobre cada instalação universitária.
Aplicada como método de avaliação, essa lógica exige uma linha de base antes das obras. A comparação posterior deveria registrar características das chuvas, pontos e duração dos alagamentos e comportamento dos dispositivos. Eventos de intensidades distintas não permitem atribuir toda melhora ou piora à intervenção. A análise também deve indicar para qual condição o sistema foi dimensionado e como o excedente será conduzido.
A manutenção precisa aparecer no mesmo planejamento. A referência da ANA inclui inspeção, limpeza, remoção de resíduos, reparos e conservação das áreas vegetadas. Para o campus, a pergunta operacional é quem executará cada tarefa, com que periodicidade e como uma perda de desempenho será registrada. Paisagismo e funcionamento hidráulico precisam compartilhar informação, inclusive depois da entrega.
A divulgação de março não apresenta orçamento consolidado, custo de manutenção ou redução medida de alagamentos. Por isso, ainda não permite comparar o custo por resultado entre alternativas. Uma avaliação futura poderia relacionar investimento e despesas de conservação ao serviço efetivamente prestado, em vez de considerar apenas os metros quadrados implantados.
O aprendizado transferível para outros campi é organizar o projeto desde o início para que seus efeitos possam ser verificados. Metas físicas ajudam a acompanhar a execução. Medições hidráulicas, responsabilidades e despesas ao longo do tempo permitem avaliar se a transformação projetada continua funcionando depois de inaugurada.
Fontes consultadas
Unicamp — Repensando os caminhos da água
ANA — Resolução 245 e Norma de Referência 12/2025
Proposta divulgada em março prevê mais pavimentos permeáveis e recuperação de margens até 2030; avaliação depende de medições, custos e manutenção.
