O Ministério dos Transportes apresentou na B3, em São Paulo, uma carteira destinada a recolocar em operação trechos ferroviários ociosos e implantar novos terminais logísticos. Segundo a pasta, aproximadamente 10 mil quilômetros de linhas atualmente subutilizadas poderão voltar à rede de transportes por meio da participação privada. A divulgação original foi feita em 15 de setembro de 2026 e atualizada no dia seguinte.

A modelagem usa como referência o corredor Minas–Rio, com cerca de 700 quilômetros, validado pelo Tribunal de Contas da União em agosto. O leilão desse corredor está previsto para 17 de dezembro, também na B3. A proposta busca aproveitar infraestrutura já existente e criar ligações regionais capazes de alimentar corredores ferroviários de maior escala.

A carteira de ferrovias de curta distância, ou shortlines, reúne sete projetos: General Carneiro–Miguel Burnier e Aguaí–Bauxita, em Minas Gerais; Brasília–Luziânia, entre o Distrito Federal e Goiás; Campina Grande–Cabedelo, na Paraíba; Roncador Novo–Jardim Ingá, em Goiás; Santo Ângelo–Santa Rosa e Cruz Alta–Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. Os trechos deverão passar por chamamentos públicos para identificar interessados na operação.

O modelo prevê autorizações com prazo de até 99 anos. Os vencedores terão até dois anos para apresentar o Plano de Requalificação e Exploração da Capacidade, documento que deverá detalhar os investimentos necessários para recuperar e operar cada trecho. A estrutura transfere ao interessado a obrigação de demonstrar viabilidade técnica e econômica antes da retomada efetiva do serviço.

Além das shortlines, o governo anunciou cinco áreas para terminais logísticos na Ferrovia Norte-Sul, com leilão marcado para 3 de dezembro. Duas áreas serão destinadas a granéis agrícolas e três a granéis líquidos, distribuídas entre Palmeirante e Porto Nacional, no Tocantins. A carteira também considera áreas disponíveis em 12 pátios ferroviários localizados no Tocantins, em Goiás e em São Paulo.

A estratégia combina reativação de ativos, conexão regional e ampliação da capacidade de armazenagem e transbordo. Para o governo, o aproveitamento de trechos já implantados pode reduzir a necessidade de construir corredores integralmente novos, desde que os projetos de requalificação confirmem condições de segurança, demanda, integração operacional e sustentabilidade econômica.

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A oportunidade central está menos na extensão anunciada isoladamente e mais na capacidade de integrar trechos curtos, terminais e corredores troncais. Para engenharia e construção, o avanço dependerá de diagnósticos consistentes da via permanente, pontes, drenagem, sinalização e pátios, além de projetos executivos que transformem autorizações longas em cronogramas financiáveis e operação segura.

Fonte original: Ministério dos Transportes ↗
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