As vendas da indústria brasileira de cimento somaram 5,7 milhões de toneladas em setembro, 5,7% abaixo de setembro de 2025. O balanço do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), divulgado pela ABCP em 7 de outubro, mostra um terceiro trimestre praticamente estável: 18,1 milhões de toneladas, com recuo de 0,4%. De janeiro a setembro, o avanço foi de 0,9%, para 50,8 milhões. [1]

Calendário muda a leitura

No mercado interno, o despacho diário ficou em 249,7 mil toneladas, queda anual de 1,6%. Setembro teve 23 dias úteis na contagem do sindicato, ante 24 um ano antes. O SNIC também atribui parte do desempenho trimestral às chuvas. As estatísticas incluem estimativas para empresas associadas e não associadas; o mercado interno exclui cimento importado. [1]

Essa distinção importa para o planejamento: comparar apenas os totais mensais mistura mudanças no ritmo das entregas com o número de dias disponíveis. Mesmo após esse ajuste simples, houve retração. A série, porém, não permite separar quanto veio do clima, do crédito ou de decisões específicas de compra.

Confiança menor, mão de obra ainda escassa

A Sondagem da Construção do FGV IBRE, publicada em 25 de setembro, oferece outro ângulo. O índice de confiança caiu 1,4 ponto no mês, para 90,5 pontos, com ajuste sazonal. A demanda prevista recuou 3,8 pontos, para 90,1, menor nível desde maio de 2021. Já a carteira de contratos atingiu seu menor patamar desde dezembro de 2025. [2]

A pesquisa, coletada entre 1º e 22 de setembro, também registra que a falta de trabalhadores qualificados continua liderando as limitações à melhoria dos negócios. Portanto, expectativas mais fracas podem coexistir com dificuldades para montar equipes. Para quem programa concretagens e mobilização de pessoal, o indicador agregado não substitui a verificação da capacidade dos fornecedores e das frentes de serviço. [2]

Habitação popular dá suporte à demanda

O peso da moradia popular aparece nos Indicadores Imobiliários Nacionais da CBIC/Brain, apresentados em 24 de agosto. No levantamento, que abrange 221 cidades, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 58% dos lançamentos residenciais do segundo trimestre, com 62.129 unidades. As vendas de imóveis novos, considerando todos os padrões, cresceram 5,4% no primeiro semestre, enquanto os lançamentos recuaram 0,3%. [3]

São períodos e medidas diferentes: comercialização de imóveis, lançamentos e venda de cimento não identificam a mesma etapa de uma obra. A participação do programa ajuda a entender a composição do mercado, mas não permite calcular quantas moradias foram concluídas ou entregues às famílias em setembro.

O que observar nas compras

Na leitura da VAELITH, o resultado recomenda acompanhar entregas por dia útil e carteira local de obras antes de alterar volumes de compra. Para orçamentos, é necessário consultar preços efetivamente cotados, frete e condições de pagamento. O balanço mede toneladas comercializadas e não demonstra redução do custo do cimento. As próximas divulgações ajudarão a verificar se o recuo foi passageiro ou se alcança um período mais longo.

Fontes e datas

1. SNIC / ABCP — Relatório setorial de setembro e do 3º trimestre de 2026 · 2026-10-07

2. FGV IBRE — Sondagem da Construção, setembro de 2026 · 2026-09-25

3. CBIC/Brain — Indicadores Imobiliários Nacionais do 2º trimestre de 2026 · 2026-08-24

Leitura VAELITH

Confrontar o despacho por dia útil com entregas locais, preços cotados e disponibilidade de equipes antes de rever compras.

Fonte original: SNIC / ABCP ↗
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