Análise • Publicação VAELITH: 19/10/2026.

O ConFibras, desenvolvido em um trabalho de conclusão de curso da Universidade Federal do Paraná, automatiza cálculos de pavimentos industriais de concreto reforçado com fibras. A ferramenta foi criada por Matheus Silva Campos, sob orientação de Ricardo Pieralisi. A universidade apresentou o projeto em 24 de setembro de 2026.

Segundo a UFPR, o sistema utiliza a metodologia TR34, na versão de 2016, e apresentou respostas coerentes e conservadoras nas comparações realizadas com programas comerciais. Essa é uma verificação computacional: a divulgação não apresenta acompanhamento de pisos executados, redução medida de falhas em serviço ou economia por metro quadrado.

A continuação proposta inclui verificações de punção, cálculo de retração e orçamento automático. Também está previsto, como possibilidade, um ambiente gráfico para posicionar carregamentos. Essas funções aparecem como aprimoramentos futuros, não como recursos já disponíveis.

Para um escritório de projetos, a consequência prática é definir previamente quais verificações serão feitas dentro do programa e quais precisarão de cálculo complementar. Comparar duas respostas exige usar as mesmas unidades, cargas e condições de apoio. Um resultado mais conservador em determinado exemplo também não demonstra, sozinho, que todas as situações possíveis estão cobertas. A documentação dos casos de comparação é tão importante quanto a interface.

O guia ACI 360 sobre lajes apoiadas no solo ajuda a entender a amplitude desse problema. Seu escopo reúne sistemas de suporte, carregamentos, juntas, retração e empenamento, além dos diferentes tipos de reforço. O instituto também alerta que nem um bom projeto, executado corretamente, elimina por completo fissuras e empenamentos. Portanto, presença de fibras não pode ser interpretada como promessa de piso sem movimentações.

Na avaliação econômica, convém separar o tempo economizado no cálculo do custo final da solução construída. Uma ferramenta pode facilitar a comparação entre alternativas, mas a contratação ainda precisa considerar investigação do terreno, especificação dos materiais, execução, controle e interrupções de operação. Sem uma comparação com a mesma exigência de desempenho, um orçamento menor não demonstra maior eficiência.

A fase de uso tampouco desaparece com a automação. A orientação da Concrete Society para conservação de pisos industriais, publicada em setembro de 2019, destaca inspeções e manutenção ao longo da vida útil, especialmente nas juntas, sujeitas ao tráfego de equipamentos. Antes de reparar, é necessário identificar a causa da deterioração.

O interesse do ConFibras está em tornar um procedimento técnico mais organizado e repetível. Para aproveitar esse avanço, o registro do projeto deve guardar entradas, versão do programa, hipóteses e verificações complementares. Isso permite revisar decisões quando o armazém muda de carga ou de operação e dá ao cálculo automatizado uma continuidade verificável até a gestão do piso.

Fontes consultadas

UFPR — apresentação do ConFibras

ACI — PRC-360-10, resumo do guia de lajes apoiadas no solo

Concrete Society — GCG10, manutenção de pisos industriais

Leitura VAELITH

Ferramenta criada na UFPR foi comparada com programas comerciais; aplicação em projetos exige conferir hipóteses, verificações disponíveis e condições do piso.

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