A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou em 2 de outubro de 2026 a revisão de um estudo de reforços da rede paulista que recomenda o uso de Dynamic Line Rating (DLR) na linha de transmissão de 138 kV entre São João da Boa Vista II e Mogi Guaçu I. Segundo a estatal de planejamento, é a primeira recomendação dessa tecnologia como solução estrutural no planejamento setorial brasileiro. Trata-se de uma proposta do estudo, ainda não da comprovação de sensores instalados ou em operação.
Em linhas convencionais, a capacidade de condução é estabelecida com limites térmicos fixos e premissas conservadoras. O DLR estima a capacidade dinâmica a partir de variáveis ambientais, como velocidade do vento, temperatura e radiação solar. O relatório da EPE usa dados históricos e condições de projeto para comparar limites estáticos (SLR) e dinâmicos na linha estudada; a Figura 9-5 mostra essa comparação temporal, com variação sazonal e semanal.
Na avaliação divulgada pela EPE, o dispositivo permitiria elevar em cerca de 20% o limite de operação normal do trecho que hoje constitui o principal gargalo: dos atuais 79 MVA para 95 MVA. A capacidade adicional pode abrir espaço para novos montantes contratados pelas distribuidoras no sistema de transmissão e atender cargas de grande consumo, incluindo centros de dados previstos para a região. Os ganhos dependem da implantação e da validação operacional do monitoramento.
A solução com sensores tem investimento estimado em aproximadamente R$ 2,1 milhões e prazo de instalação de até 14 meses. A EPE a compara com uma reconstrução convencional da linha que custaria cerca de R$ 140 milhões. No cenário do relatório, a adoção do DLR permitiria adiar essa reconstrução para além de 2038, sem dispensar o acompanhamento do desempenho e das demais intervenções previstas na rede.
O estudo técnico, identificado como EPE-DEE-RE-037-2025, Parte 2, Revisão 1, integra o planejamento das Demais Instalações de Transmissão de São Paulo. Suas análises de carregamento combinam o DLR com outras obras e cenários futuros de expansão. Por isso, a estimativa de capacidade e o adiamento do investimento não devem ser apresentados como resultado isolado já realizado pela tecnologia.
O DLR pode aproveitar margem térmica existente ao ajustar o limite da linha às condições ambientais, mas depende de sensores, telemetria, validação e critérios operativos. O custo de R$ 2,1 milhões e o adiamento do reforço convencional são estimativas do cenário estudado; o planejamento da rede deve considerar contingências e crescimento da demanda.
