Explicação • Publicação VAELITH: 24/10/2026.
Uma via recém-recapeada pode parecer uniforme e esconder diferenças entre o material projetado e o executado. Para investigar suas camadas, o radar de penetração no solo, conhecido como GPR, permite ampliar a observação sem abrir o pavimento em todos os pontos. Esta explicação retoma informações divulgadas pelo IPT em 14 de agosto e pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo em 16 de setembro de 2026; não se trata de lançamento ocorrido hoje.
Segundo o IPT, o equipamento usa ondas eletromagnéticas para obter informações sobre as camadas. Seu emprego integra um trabalho conjunto com o TCMSP que combina ensaios de campo, laboratório e avaliação técnica. O referencial contempla procedimentos, planejamento da amostragem, fichas e aplicação em estudo de caso. A proposta é melhorar a representatividade das evidências, e não dispensar a verificação convencional.
Na apresentação de setembro, o TCMSP informou trabalhar com 16 tipos de ensaios em pavimentos, concreto, solos e materiais asfálticos. Entre as aplicações citadas estavam o GPR para espessuras, corpos de prova de 30 centímetros de diâmetro para análise granulométrica e o Índice de Irregularidade Internacional em vias urbanas. São instrumentos complementares: aparência, espessura, composição e regularidade não medem a mesma característica.
O Tribunal relatou que os ensaios empregados nas experiências apresentadas custaram menos de 1% do valor auditado. Esse dado pertence à experiência descrita pela instituição, não constitui tabela de preços nem garante a mesma proporção em qualquer município. Mobilização, extensão, acessibilidade e quantidade de pontos precisam integrar o orçamento específico da campanha.
Há também uma cautela financeira importante. A instituição apresentou uma estimativa segundo a qual um centímetro de diferença de espessura, na escala de um programa de recapeamento de R$ 3,4 bilhões, equivaleria a cerca de R$ 200 milhões. É uma ilustração da sensibilidade do orçamento à espessura: não significa que R$ 200 milhões tenham sido comprovadamente perdidos em toda a malha.
Como aplicação prática dessa experiência, a fiscalização deve conectar cada leitura ao trecho, à amostra, ao projeto e à medição correspondente. Um sinal do equipamento orienta a investigação; a conclusão contratual exige evidências coerentes e análise técnica. Para replicar a abordagem, o ganho mais importante não é apenas comprar um radar, mas organizar a amostragem e manter rastreável o caminho entre o dado coletado e a decisão.
Fontes consultadas
IPT — Referencial técnico para auditorias de pavimentação, 14/08/2026
TCMSP — Apresentação do referencial em seminário do TCU, 16/09/2026
Explicação: trabalho do IPT e do TCMSP mostra como a tecnologia não destrutiva pode orientar a coleta de evidências, sem transformar uma leitura isolada em prova de irregularidade.
