Reportagem • Publicação VAELITH: 24/10/2026.

Uma pesquisa liderada por Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, publicada na Nature em 21 de outubro de 2026, analisou 15 anos de medições para investigar por que a Amazônia emite mais carbono do que absorve. O estudo relaciona o desequilíbrio às ações humanas e mostra como as secas amplificam seus efeitos.

O artigo reúne 1.017 perfis verticais obtidos por aviões entre 2010 e 2024. Amostras de ar coletadas em diferentes alturas foram analisadas para dióxido de carbono e monóxido de carbono. A combinação dessas observações com a circulação atmosférica permite estimar o balanço regional; não é uma medição individual de todas as árvores ou de cada ponto do território.

A média estimada foi de emissão líquida de 0,32 ± 0,08 petagrama de carbono por ano. Segundo a divulgação do Inpe, o valor central corresponde a aproximadamente 1,17 bilhão de toneladas de CO₂ anuais. Carbono e dióxido de carbono não são unidades intercambiáveis: a massa de CO₂ inclui também o oxigênio. O número é uma média de 2010–2024, não um inventário já encerrado de 2026.

Para examinar as diferenças, os pesquisadores agruparam os anos por condições climáticas e intensidade das atividades humanas. O Inpe informa que 2019–2022 combinaram baixo estresse climático com maior desmatamento e queimadas, enquanto 2010, 2015, 2016, 2023 e 2024 reuniram condições quentes e secas. A comparação ajuda a evitar a explicação simplista de atribuir todo aumento de emissões apenas à falta de chuva.

O estudo também tem limites de observação relevantes. A série aérea teve interrupções em 2015 e cobertura de apenas dois locais em 2016, descritas no método. O cálculo regional depende de ponderação espacial e da estimativa da contribuição de áreas não diretamente cobertas. A incerteza declarada e a variabilidade entre sub-regiões devem acompanhar qualquer uso dos resultados.

Na avaliação dos autores divulgada pelo Inpe, reduzir desmatamento, combater queimadas e restaurar áreas degradadas são medidas complementares. A degradação altera chuvas e temperaturas e enfraquece a capacidade de absorção da floresta. A pesquisa apresenta evidências para orientar políticas, mas não calcula o custo de implantação de cada programa nem comprova o resultado futuro de uma intervenção específica.

Para o planejamento de infraestrutura, a leitura da VAELITH é que séries ambientais longas precisam fazer parte da avaliação de riscos. O balanço amazônico não substitui estudos locais de disponibilidade hídrica, drenagem ou licenciamento e não fornece, sozinho, uma vazão de projeto. Ele reforça a importância de explicitar período, escala e incerteza antes de converter um achado científico em decisão de investimento.

Fontes consultadas

Gatti e colaboradores — Amazon carbon emissions driven by human actions amplified by droughts, Nature, 21/10/2026

Inpe — Estudo aponta atividades humanas como principal fator das emissões de carbono, 21/10/2026

Agência FAPESP — Fogo e desmatamento transformam Amazônia em fonte de carbono, 21/10/2026

Leitura VAELITH

Artigo publicado na Nature em 21 de outubro reúne 1.017 perfis aéreos de 2010 a 2024; média regional não deve ser confundida com medição de uma obra ou município.

Fonte original: Inpe / Nature ↗
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