O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) publicou em 1º de outubro de 2026 o quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027, produzido com outros seis órgãos federais. O documento atribui 95% de probabilidade à intensidade “muito forte” do fenômeno no trimestre de outubro a dezembro. Se a projeção se confirmar, o episódio poderá figurar entre os mais intensos desde 1950. É uma previsão probabilística, não um resultado já observado para o trimestre.

As condições de El Niño foram confirmadas em junho de 2026. Segundo o INPE, o aquecimento no Pacífico Equatorial continuou a crescer e as anomalias da temperatura da superfície do mar superaram 2 °C nas regiões central e leste no fim de setembro, com base em dados do CPC/NOAA. O painel projeta persistência do fenômeno pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.

Para o Sul do Brasil, o cenário sazonal aponta chuvas acima da média e possibilidade de cheias. O boletim relaciona esse risco às chuvas volumosas de setembro, que elevaram rios e provocaram inundações no Vale do Taquari e ao longo do rio Caí, no Rio Grande do Sul, além de municípios de Santa Catarina. A previsão de chuvas acima da média alcança também parte do Sudeste e o leste do Nordeste; a tendência de risco de cheias no Sul diminui até dezembro no cenário apresentado.

No centro-norte do país, a combinação projetada de menor chuva e temperaturas elevadas amplia a atenção à seca e ao fogo. Dados parciais de setembro do Cemaden indicam aumento de municípios em seca severa e extrema, especialmente em Amazonas, Roraima e Acre. Em Roraima, o boletim aponta níveis baixos dos rios Branco e Negro e previsão de chuva inferior à média. As temperaturas devem ficar acima da média em grande parte do território brasileiro.

Além do INPE, participam do painel o Inmet, a ANA, o Cemaden, o Serviço Geológico do Brasil, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e o Censipam. O objetivo é reunir monitoramento, previsões e análise dos possíveis impactos para apoiar prevenção, preparação e gestão de riscos; as instituições recomendam acompanhar continuamente os avisos meteorológicos, hidrológicos e geológicos oficiais.

O INPE ressalta que as projeções são tendências sazonais e que o impacto local depende da evolução das condições meteorológicas em cada região. O boletim não prevê uma cheia ou uma seca específica para cada município nem substitui alertas de curto prazo e dados atualizados de reservatórios. Para gestores de infraestrutura, a informação é um sinal de planejamento, sujeito a revisão nos próximos boletins.

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As tendências sazonais ajudam gestores de drenagem, barragens, obras e ativos urbanos a revisar cenários de contingência e acompanhamento de alertas oficiais. Elas não permitem deduzir vazões, danos ou cronogramas locais sem dados operacionais e previsões de menor horizonte.

Fonte original: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) ↗
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