A Mata Atlântica perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura entre 1985 e 2025, enquanto as áreas agrícolas avançaram 11 milhões de hectares. Os dados fazem parte de um levantamento do MapBiomas divulgado em 21 de setembro e mostram uma transformação profunda do uso do solo no bioma ao longo de quatro décadas.
No mesmo período, a vegetação secundária — que volta a crescer em áreas anteriormente desmatadas — aumentou em mais de 8 milhões de hectares. O ganho ajuda a recompor a cobertura verde, mas não equivale automaticamente à recuperação de ecossistemas maduros, que concentram estruturas, espécies e funções ambientais formadas durante períodos mais longos.
O recorte mais recente indica que 1,2 milhão de hectares de vegetação nativa foram suprimidos entre 2021 e 2025. Desse total, cerca de 700 mil hectares eram de vegetação secundária e aproximadamente 500 mil hectares correspondiam a formações maduras. Em 2025, a vegetação nativa ocupava 32% da área do bioma, enquanto os usos agropecuários respondiam por 63%.
A agricultura chegou a 20,5 milhões de hectares, equivalentes a 19% da Mata Atlântica. A conversão de pastagens para lavouras respondeu por 19% das mudanças de uso e cobertura da terra observadas desde 1985. No sentido oposto, as pastagens perderam aproximadamente 11 milhões de hectares no período.
A soja foi a cultura com maior expansão absoluta: ganhou 8,7 milhões de hectares e alcançou 11,11 milhões de hectares no bioma, área 4,6 vezes superior à registrada em 1985. A cana-de-açúcar cresceu 5 milhões de hectares e chegou a 6,15 milhões, multiplicando por 5,3 a ocupação observada no início da série.
O levantamento também mostra a relevância nacional da produção instalada na Mata Atlântica. Em 2025, o bioma concentrava 25% da área de soja, 50% da cana-de-açúcar, 68% do café e 34% dos cítricos mapeados no país. A silvicultura avançou 3,8 milhões de hectares e passou a ocupar 4,9 milhões de hectares.
A urbanização também se intensificou. As áreas urbanizadas cresceram 1,3 milhão de hectares e atingiram 2,3 milhões, cerca de duas vezes e meia a extensão de 1985. Mais da metade da área urbanizada brasileira está dentro do bioma, com São Paulo, Paraná e Minas Gerais liderando os maiores aumentos absolutos.
Os números reforçam que planejamento territorial, infraestrutura e restauração precisam ser tratados em conjunto. A recuperação de cobertura secundária é positiva, mas obras, expansão urbana e cadeias agrícolas devem preservar remanescentes maduros, conectar fragmentos e evitar que ganhos recentes sejam novamente convertidos.
