O Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 entrou em consulta pública em 8 de outubro, com contribuições previstas até 6 de novembro de 2026. No relatório divulgado pelo Ministério de Minas e Energia e pela Empresa de Pesquisa Energética, a ampliação das fontes renováveis vem acompanhada de uma agenda de infraestrutura para transportar energia e ajustar oferta e consumo ao longo do dia. [1]
O cenário de referência projeta consumo de eletricidade de 979 terawatts-hora em 2036, com crescimento médio de 3,4% ao ano. A participação renovável na matriz elétrica permanece próxima de 90%. Esses valores são projeções do planejamento para o horizonte 2027–2036 e devem ser lidos com as premissas que sustentam o cenário. [1]
O relatório classifica como indicativos 7.200 megawatts de armazenamento em baterias, 2.000 megawatts de usinas hidrelétricas reversíveis e 4.000 megawatts de resposta da demanda. O enquadramento é importante: trata-se da composição sinalizada pelo estudo, cuja realização exigirá os respectivos projetos, decisões de contratação e condições de implantação. [2]
Na transmissão, o documento projeta acréscimos de 31,9 mil quilômetros de circuitos e 99,6 mil megavolts-ampères de transformação entre 2027 e 2036. Os investimentos estimados nesse segmento somam R$ 127,1 bilhões, considerando instalações já outorgadas e novas estruturas indicadas pelo planejamento. A composição combina, portanto, empreendimentos em estágios diferentes de maturidade. [2]
A leitura técnica da VAELITH é que o debate sobre sustentabilidade precisa acompanhar a coordenação desses prazos. Um parque gerador, uma conexão e um reforço da rede têm cronogramas próprios. Avaliar apenas a data prometida de cada obra dificulta identificar períodos em que parte do conjunto estará disponível antes das demais partes. Uma análise por região deveria explicitar essas dependências e testar consequências de atrasos.
Também convém separar potência e energia ao avaliar o armazenamento. A potência, expressa em megawatts, informa a capacidade de entregar energia por unidade de tempo. Para avaliar por quanto tempo um sistema sustentaria essa entrega, é necessária a capacidade energética, usualmente expressa em megawatts-hora. A lista de potências do plano, isoladamente, não permite dimensionar a autonomia de uma instalação específica.
Como contribuição ao debate público, projetistas e operadores podem pedir que os cenários explicitem duração dos serviços, localização das necessidades e interação com as restrições de transmissão. Para municípios e comunidades afetadas, é igualmente útil conhecer alternativas de implantação e a distribuição territorial de impactos. Estas são questões de avaliação propostas por esta análise, e não novas condições já estabelecidas pelo governo.
A consulta nº 235 permite encaminhar contribuições pelos canais oficiais do MME e pelo Brasil Participativo. A oportunidade é discutir como transformar as projeções em uma sequência coerente de decisões. Para quem planeja empreendimentos, o documento funciona como referência de cenário: cada investimento ainda exige confirmação de acesso à rede, maturidade de engenharia e avaliação dos requisitos próprios de sua localização. [3]
Fontes e datas
2. Relatório Síntese PDE 2036, versão para consulta pública · 2026-10-08
3. Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 · 2026-10
Cruzar cronogramas de geração, armazenamento e transmissão; avaliar capacidade energética e localização antes de converter a potência indicativa em projeto.
