Uma pesquisa brasileira publicada em 19 de setembro na revista Innovative Infrastructure Solutions encontrou melhora na resistência à entrada de cloretos em concretos que substituem parte da areia por cinza pesada de carvão. O trabalho reúne pesquisadores do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, da Universidade Federal do Rio Grande e da Universidade Católica de Pelotas, com resíduo proveniente do Complexo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul.

A equipe preparou 12 misturas. Um grupo recebeu substituições de areia entre 0% e 30%; outro repetiu os teores com substituição parcial do cimento por 8% de metacaulim. A relação água/aglomerante foi mantida em 0,45. Os pesquisadores mediram resistência à compressão, absorção de água, migração de cloretos e resistividade elétrica, acompanhando parte das propriedades por até 180 dias.

Na mistura com 30% de cinza pesada e sem metacaulim, o coeficiente obtido no ensaio acelerado de migração de cloretos caiu cerca de 36% aos 28 dias, 60% aos 91 e 70% aos 180, em comparação com a referência sem cinza. A resistência à compressão apresentou diferenças pequenas entre as misturas, em torno de 5% nos valores médios. Artigo original e resultados experimentais.

A cinza analisada não apresentou atividade pozolânica no método utilizado. Sua função foi substituir agregado miúdo. Os autores propõem que mudanças no empacotamento dos grãos e no caminho percorrido pelos íons através dos poros possam explicar a melhora. Essa explicação permanece uma hipótese física a aprofundar por caracterização da microestrutura.

Os resultados também mostram por que diferentes indicadores precisam ser avaliados juntos. Nas misturas com metacaulim, os maiores teores de cinza não produziram melhora uniforme na absorção capilar. Um material que dificulta a migração de cloretos em determinado ensaio precisa continuar sendo examinado quanto às demais exigências do elemento construtivo e às condições de execução.

A partir dos ensaios, o estudo estimou probabilisticamente o início da corrosão das armaduras. O cenário adotou, entre outras hipóteses, cobrimento médio de 50 milímetros e temperatura de 18 °C. Os próprios pesquisadores destacam que as projeções servem principalmente para comparar misturas. Não são previsões absolutas para uma ponte ou edifício específico, e o ensaio acelerado não reproduz exatamente a difusão natural dos sais.

Para a construção brasileira, o interesse está em investigar um resíduo local com critérios de desempenho. Na avaliação da VAELITH, uma eventual transferência para centrais de concreto exigiria verificar regularidade do fornecimento, composição dos lotes, demanda de água, controle de produção e exposição prevista. A origem industrial do material não dispensa sua qualificação técnica e ambiental.

O trabalho ainda recomenda avaliações ambientais e microestruturais antes da aplicação em grande escala. Não apresenta implantação comercial, custo por metro cúbico ou redução de carbono calculada por análise de ciclo de vida. O ganho demonstrado está nos corpos de prova e nas condições investigadas. A pesquisa oferece uma base promissora para desenvolver essa rota, preservando a necessidade de ensaios de campo e de critérios claros de aceitação.

Crédito da pesquisa e licença

Síntese e análise editorial da VAELITH com base no estudo de Tatiane Valente de Aragão, Gustavo Bosel Wally, Mauro de Vasconcellos Real e Fábio Costa Magalhães (2026), sob licença CC BY 4.0. Texto reorganizado e redigido em português; consultar o artigo original para o método completo.

Creative Commons Attribution 4.0 International

Fontes e datas

1. Artigo científico original: de Aragão, Wally, Real e Magalhães · 19/9/2026

Leitura VAELITH

Cinza pesada local apresentou potencial como agregado miúdo, mas indicadores acelerados de transporte de cloretos e simulações comparativas não substituem qualificação ambiental, variabilidade de lotes e validação em campo.

Fonte original: Springer Nature ↗
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