Publicado na Innovative Infrastructure Solutions, o trabalho investiga o reaproveitamento de resíduos têxteis de juta em compósitos de matriz de polipropileno para reforço externo de vigas de concreto armado. A proposta busca verificar se uma solução de menor impacto ambiental pode atuar como camada complementar de reforço e, ao mesmo tempo, dar destino de maior valor a resíduos fibrosos.
Os pesquisadores produziram compósitos por moldagem por injeção com 20% e 30% de fibras de juta em massa. Os materiais foram caracterizados por ensaios de tração, flexão, alongamento e dureza. Quatro vigas de concreto armado foram moldadas, incluindo referência sem reforço e vigas com placas compósitas coladas na face tracionada com adesivo estrutural, posteriormente submetidas a ensaios de flexão.
A incorporação da juta reduziu a resistência mecânica do próprio compósito em relação ao polipropileno puro: a resistência à flexão caiu cerca de 18,1% com 20% de fibras e 19,4% com 30%. Nas vigas, os ganhos de capacidade foram pequenos e o sistema apresentou falhas antes de explorar plenamente a resistência do concreto, evidenciando que transferência de tensões e ligação entre placa, adesivo e substrato são pontos críticos.
Os autores atribuem parte das limitações à aderência fibra-matriz e à eficiência de transferência de tensões. O programa estrutural também envolveu poucas vigas, o que restringe generalizações. Assim, o estudo não demonstra substituição direta de sistemas consolidados de reforço; ele indica uma rota de pesquisa para camadas de proteção ou reforço complementar que ainda exige otimização da interface e validação em escala maior.
Leitura VAELITH: o resultado é útil justamente por não “vender” o material como solução pronta. Em reforço estrutural, propriedades do compósito isolado não bastam: aderência ao concreto, ancoragem, modo de ruptura e ductilidade governam o desempenho do sistema. A aplicação profissional dependeria de melhorar a interface, repetir ensaios com amostras maiores e comparar custo, durabilidade e segurança com FRP convencionais.
