Publicado em 27 de setembro de 2026 no Bulletin of Earthquake Engineering, o estudo valida experimentalmente o sistema e-CLT, desenvolvido no projeto europeu e-SAFE para reabilitar edifícios de concreto armado construídos antes da adoção de requisitos sísmicos modernos. A solução combina painéis pré-fabricados de madeira laminada cruzada (CLT) instalados externamente com amortecedores metálicos por atrito, buscando aumentar resistência lateral e dissipação de energia sem transformar o painel de madeira no elemento de dano.

Os pesquisadores realizaram quatro ensaios quase estáticos cíclicos em pórticos de concreto armado de um pavimento e um vão, em escala real. A campanha incluiu um pórtico sem vedação, um pórtico com alvenaria usado como referência não reforçada, uma configuração equivalente equipada com o sistema e-CLT e um ensaio dedicado ao conjunto de amortecedores montado em um pórtico previamente danificado, cuja resistência lateral havia sido intencionalmente reduzida.

Os protótipos reproduziram práticas construtivas italianas da década de 1970, período em que muitos edifícios eram dimensionados essencialmente para ações gravitacionais. O painel de CLT foi preso à viga superior e conectado na base por amortecedores que começam a deslizar quando a força supera o limiar de atrito. Camadas de calços lubrificados com grafite e três parafusos apertados a 100 N·m, equivalentes a uma pré-carga aproximada de 31 kN, foram usados para estabilizar a pressão nas interfaces deslizantes.

Durante o ensaio do conjunto reforçado, o painel permaneceu no regime elástico, com alongamento reversível máximo de 0,6 milímetro e sem deslocamento residual nas medições diagonais. A rigidez elástica inicial chegou a 70,1 kN/mm, e a força cortante basal máxima alcançou 263,0 kN para uma razão de deriva de 0,5%. Os amortecedores foram ativados aproximadamente nesse mesmo nível de deriva e passaram a dissipar energia por deslizamento.

Na comparação direta com o pórtico não reforçado, o sistema e-CLT elevou em 49% a rigidez inicial e em 67% a força máxima. Próximo ao estado limite de prevenção de colapso, o protótipo reforçado dissipou cerca de três vezes a energia da configuração de referência. O pós-pico também foi menos frágil: acima de 1% de deriva, a ativação dos amortecedores reduziu a degradação relativa e limitou os danos nos elementos de concreto.

A alvenaria não ficou isenta de dano. Fissuras surgiram antes da ativação dos amortecedores; houve colapso parcial de blocos no centro do painel de vedação a 0,75% de deriva e agravamento acima de 1,5%. Ainda assim, nos elementos do pórtico de concreto os danos permaneceram mais controlados do que no espécime não reforçado, sem sinais de flambagem das barras ou destacamento generalizado do cobrimento durante as fases descritas pelos autores.

O trabalho demonstra desempenho estrutural promissor, mas não encerra a validação necessária para aplicação em edifícios reais. Os autores apontam a necessidade de estudar efeitos de longo prazo da pré-carga e do material de atrito, variações de temperatura, relaxação dos parafusos, ensaios dinâmicos em mesa sísmica, protótipos tridimensionais e análise completa de custo-benefício. Fachadas com grandes aberturas e mecanismos de ruptura muito frágeis também podem exigir soluções locais complementares.

Leitura VAELITH

Leitura VAELITH: o sistema e-CLT é relevante porque concentra a dissipação em conexões por atrito substituíveis e mantém o painel de madeira no regime elástico, abordagem que pode reduzir intervenções internas e tempo de obra em retrofit. Os ganhos medidos, contudo, pertencem a pórticos de um pavimento e um vão sob carregamento quase estático; dimensionamento para edifícios brasileiros exigiria validação dinâmica, adaptação às tipologias locais, verificação de ligações, fogo, umidade, durabilidade e compatibilidade de fachada.

Fonte original: Springer Nature ↗
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