A Petrobras anunciou em 2 de outubro de 2026 a identificação de um segundo intervalo com petróleo no poço exploratório Morpho (1-BRSA-1405-APS), no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. O ponto de perfuração fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma lâmina d'água de 2.886 metros. O achado amplia os dados sobre as formações profundas da região, mas ainda não define o tamanho da jazida nem sua viabilidade comercial.

A primeira ocorrência no mesmo poço havia sido divulgada em agosto. A continuidade da perfuração alcançou camadas mais profundas, nas quais a companhia identificou indícios em perfis elétricos e nas rochas, além de colher amostras de fluidos. Os materiais passarão por análises laboratoriais e serão integrados aos demais dados exploratórios. Segundo a Petrobras, as análises já concluídas da descoberta anterior indicam petróleo de boa qualidade.

Em entrevista coletiva no Rio de Janeiro, a presidente da estatal, Magda Chambriard, apresentou uma amostra do óleo e descreveu sua viscosidade como baixa. Ela afirmou haver otimismo quanto ao valor comercial da descoberta, mas reconheceu que essa condição ainda não pode ser garantida. A empresa não divulgou o grau API exato nem outros parâmetros técnicos, sujeitos a sigilo regulatório.

Uma estimativa da Empresa de Pesquisa Energética citada pela Agência Brasil aponta potencial total recuperável de até 10 bilhões de barris de óleo equivalente para toda a Bacia da Foz do Amazonas. Esse número se refere à bacia, não às reservas comprovadas do poço Morpho. A avaliação de volume, qualidade e comercialidade do novo achado depende de testes e poços adicionais.

A previsão informada na coletiva é concluir os testes e manobras em Morpho até o fim de outubro. A sonda deve então seguir para o Rio Grande do Norte, onde a Petrobras planeja perfurar o prospecto Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar, em novembro. Para o FZA-M-59, a companhia prevê uma nova mobilização no primeiro trimestre de 2027 e três poços de delimitação destinados a dimensionar as jazidas e apoiar a decisão sobre comercialidade.

A exploração no bloco ocorre sob licença ambiental do Ibama concedida em outubro de 2025. Em 28 de setembro de 2026, o Ministério Público Federal pediu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região a suspensão das atividades de perfuração e teste. Entre os fundamentos alegados estão um vazamento de fluido na operação da sonda em janeiro e a ausência de consulta prévia a povos indígenas e comunidades quilombolas e de pescadores artesanais do Amapá e do Pará. O pedido é uma contestação judicial; a notícia da descoberta não equivale à aprovação de uma futura produção.

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A descoberta de um intervalo portador de petróleo é uma etapa exploratória. Para avaliar projetos, investimentos e infraestrutura associados ao bloco, ainda são necessários resultados laboratoriais, poços de delimitação, estimativas de recursos e decisões de licenciamento e comercialidade. O potencial estimado para a bacia não deve ser tratado como reserva do poço.

Fonte original: Agência Brasil ↗
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