A Ecovias Raposo Castello divulgou em 8 de outubro um balanço de segurança do trecho entre os quilômetros 15 e 20 da Raposo Tavares, na região de São Paulo, onde utiliza câmeras com inteligência artificial. Os registros passaram de 86 sinistros, em julho e agosto de 2025, para 67 nos mesmos meses de 2026: redução de aproximadamente 22%, segundo o Centro de Controle Operacional da concessionária.
O levantamento também aponta queda de cinco para uma ocorrência com vítimas graves ou fatais. A diferença corresponde a 80%, mas exige cuidado: o número detalhado se refere a ocorrências dessa categoria. Ele não informa, separadamente, quantas pessoas morreram ou ficaram gravemente feridas. Fonte: Ecovias, 8/10/2026.
As duas câmeras estão nos quilômetros 17 e 18. O funcionamento descrito pela empresa combina captura contínua de imagens, identificação de possíveis irregularidades e encaminhamento dos registros às autoridades para análise. A concessionária não aplica multas. Em comunicado de junho, a operadora informava que a solução observava principalmente uso do celular e ausência do cinto; identificação de pedestres, objetos na pista e veículos parados ainda não integrava aquele sistema. Fonte: Ecovias, 25/6/2026.
As autuações apoiadas pela tecnologia começaram em 3 de agosto. O balanço registra 2.316 infrações no primeiro mês, divididas entre falta de cinto e uso do telefone. A divulgação estadual sobre o projeto confirma o caráter de apoio da tecnologia à fiscalização e a implantação gradual em rodovias concedidas. Fontes: Ecovias e Governo de São Paulo, 5/10/2026.
Para interpretar o desempenho, a cronologia é decisiva. A comparação de julho e agosto inclui semanas anteriores ao início das autuações. Assim, não permite medir isoladamente o efeito dessa etapa de fiscalização. A redução observada pode orientar novas perguntas sobre o funcionamento da via, mas a demonstração de causalidade exigiria desenho de avaliação mais robusto.
Outro limite está na base pequena do indicador de maior gravidade. Quando o ponto de partida são cinco ocorrências, a diferença de um único caso já altera bastante a variação percentual. Por isso, acompanhar os valores absolutos e ampliar a série histórica é mais informativo do que usar apenas o percentual como medida definitiva de sucesso.
Na leitura técnica da VAELITH, uma avaliação futura deveria combinar volume de veículos, sazonalidade, condições de circulação, intervenções de engenharia e ações de fiscalização. Também seria útil comparar trechos semelhantes e divulgar critérios de classificação dos registros. Essas informações ajudariam a distinguir tendências persistentes de oscilações e a decidir onde ampliar o monitoramento.
O anúncio mantém a expansão para novos pontos como previsão. Não apresenta custo específico do sistema nem retorno econômico medido. Para gestores de infraestrutura, a experiência abre uma discussão prática: quais dados precisam ser coletados desde a implantação para verificar segurança e eficiência? O próximo avanço será transformar o acompanhamento operacional em evidência comparável, com períodos bem definidos e resultados auditáveis.
Fontes e datas
1. Ecovias Raposo Castello · 2026-10-08
2. Ecovias Raposo Castello · 2026-06-25
3. Casa Civil do Governo de São Paulo · 2026-10-05
Comparar sinistros em trecho monitorado exige considerar a exposição ao tráfego, a cronologia da fiscalização e a pequena base de ocorrências graves; o balanço não isola causalidade.
