Análise • Publicação VAELITH: 27/10/2026.
O Conjunto Jardim Edite, em São Paulo, oferece uma referência para discutir como a habitação social pode compartilhar um terreno com serviços públicos sem transformar todos os percursos em uma única circulação. Desenvolvido entre 2008 e 2013 por H+F e MMBB, o projeto combina apartamentos, unidade básica de saúde, creche e restaurante-escola. Esta análise retoma decisões daquele projeto; não anuncia uma entrega recente nem uma avaliação atual de seu funcionamento. Memorial dos arquitetos
Habitação inserida na cidade
Implantado no encontro das avenidas Berrini e Roberto Marinho, onde existia a favela de mesmo nome, o conjunto tem 252 unidades habitacionais de 50 metros quadrados, segundo o H+F. O programa coloca os serviços na base dos edifícios e aproveita coberturas como espaços de convivência residencial. A intenção descrita pelos autores é atender moradores e também usuários do entorno, aproximando a habitação do cotidiano de uma região de empregos e serviços. Dados e partido arquitetônico
A escolha permite discutir localização e desenho ao mesmo tempo. Não basta contabilizar apartamentos: importa saber o que existe ao redor, como se chega aos equipamentos e quais espaços permitem encontros sem eliminar a privacidade doméstica. A contribuição do caso está nessa articulação, não na ideia de que um edifício, sozinho, possa resolver as desigualdades de acesso à cidade.
Compartilhar o lote, preservar os percursos
Um relato de visitas feitas em junho de 2015 e janeiro de 2016, publicado por Aécio Flávio de Souza Lacerda Júnior e Edite Galote Carranza no Vitruvius, registra entradas independentes para os diferentes usos. Os autores observaram claraboias na espera da UBS e elementos vazados nas laterais, soluções associadas à entrada de luz e à ventilação. São observações históricas de campo, não medições de conforto térmico ou comprovação de desempenho em todas as estações. Relato das visitas
A independência dos acessos tem uma consequência prática: os horários e controles de um serviço público não precisam determinar toda a rotina residencial. Isso, porém, não certifica acessibilidade universal. Uma avaliação completa deve acompanhar o percurso desde a calçada até o destino, incluindo desníveis, portas, circulação vertical e condições efetivas de uso.
A cobertura também precisa de gestão
Quando a área de convivência está sobre outro programa, a coordenação não termina na planta. Como questão de projeto e operação, é necessário definir quem inspeciona a impermeabilização, mantém a drenagem, autoriza intervenções e atende ocorrências. Essas são precauções para tipologias com usos sobrepostos, e não um diagnóstico de falhas existentes no Jardim Edite.
A lição arquitetônica é combinar densidade com clareza de responsabilidades. Espaços compartilhados podem ampliar as possibilidades do terreno, desde que o projeto detalhe seus limites e a gestão consiga conservar o que foi desenhado. A qualidade da moradia inclui o apartamento, mas também os caminhos, serviços e áreas comuns que sustentam seu uso cotidiano.
Fontes consultadas
Projeto de H+F e MMBB, desenvolvido entre 2008 e 2013, ajuda a discutir habitação social, convivência e as responsabilidades de manutenção em edifícios com usos sobrepostos.
