Reportagem • Publicação VAELITH: 25/10/2026.

Pesquisadores da Coppe/UFRJ estão desenvolvendo uma ferramenta de planejamento que deverá resultar no Atlas da Logística Urbana Sustentável do Rio de Janeiro. Divulgada pela instituição em 22 de outubro de 2026, a iniciativa do Laboratório de Mobilidade, Logística e Sustentabilidade, liderada por Lino Marujo, pretende relacionar características dos territórios, alternativas de intervenção e indicadores de resultado. O anúncio descreve um trabalho em estruturação, não uma plataforma municipal já implantada.

A base técnica consiste em dividir o território em células de aproximadamente um quilômetro quadrado e identificar áreas semelhantes. O Programa de Engenharia de Transportes informa o uso de Análise de Componentes Principais e do algoritmo K-Means. População, atividades econômicas, infraestrutura, rede viária e regulação entram na caracterização. A aplicação carioca acrescenta dimensões como vulnerabilidade social, acessibilidade e resiliência, evitando tratar bairros muito diferentes como um único problema logístico.

Entre as alternativas que serão investigadas estão pontos locais de redistribuição de mercadorias, consolidação de cargas, espaços de carga e descarga, horários de entrega e veículos de baixa emissão. A Coppe também prevê estudar ferramentas digitais de roteirização. A lista não representa obras contratadas: indica soluções a comparar conforme o território. O propósito é aproximar a organização das entregas do planejamento do espaço urbano, em vez de procurar uma resposta universal.

O antecedente metodológico ajuda a entender essa escolha. Relatório do MIT para o Banco Mundial, anterior ao projeto carioca, identificou seis perfis territoriais em Lima, sete em Bogotá e oito em Quito, usando dados demográficos, econômicos e de infraestrutura. Esses resultados não devem ser transferidos numericamente ao Rio. Eles mostram que o agrupamento é específico de cada cidade e serve como ponto de partida para investigar fluxos e selecionar intervenções, não como comprovação de melhoria operacional.

Para gestores de infraestrutura, a leitura prática é que um agrupamento estatístico pode orientar onde levantar dados mais detalhados, mas não substitui o projeto de uma intervenção. Uma célula de um quilômetro quadrado pode conter acessos, calçadas e usos do solo distintos. Antes de reservar uma área de carga ou instalar um ponto de apoio, será necessário confrontar o diagnóstico com a circulação observada e com as necessidades de pedestres, moradores e estabelecimentos.

A divulgação consultada não apresenta redução medida de viagens, emissões ou custos, nem um cronograma de disponibilização pública do atlas. Assim, a etapa a acompanhar é a passagem da classificação territorial para testes verificáveis. Como critério de avaliação, a VAELITH considera importante comparar condições anteriores e posteriores, registrar efeitos sobre o entorno e explicitar a qualidade das bases utilizadas. O ganho da tecnologia dependerá dessa ligação entre mapa, decisão e operação.

Fontes consultadas

Coppe/UFRJ: Pesquisadores estruturam ferramenta para melhorar a logística urbana do Rio, 22/10/2026

PET/Coppe: Prof. Lino Marujo apresenta nova perspectiva para o planejamento urbano sustentável

MIT/Banco Mundial: City Logistics Policy Toolkit, relatório metodológico

Leitura VAELITH

Projeto divulgado em 22 de outubro combina dados territoriais e agrupamentos de áreas para estudar intervenções. Atlas ainda está em desenvolvimento, sem ganhos operacionais publicados.

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