Análise • Publicação VAELITH: 28/10/2026.
Uma chamada de R$ 21 milhões para pesquisa em plataformas digitais abertas recoloca uma questão prática para a construção: quem consegue usar os dados de uma obra quando o sistema, a equipe ou o fornecedor muda? Esta é uma análise VAELITH do edital anunciado em 15 de outubro de 2026 e divulgado pela Agência FAPESP no dia 26, não o anúncio de uma plataforma pronta para canteiros.
A iniciativa reúne FAPESP, MCTI, Ministério das Comunicações e CGI.br. O edital aceita pesquisadores de instituições de ensino superior ou pesquisa, públicas ou privadas sem fins lucrativos, de qualquer estado brasileiro, sujeitos aos critérios de elegibilidade. Empresas e cooperativas podem participar como parceiras; isso não transforma a chamada em crédito direto para qualquer empresa comprar software.
O que está efetivamente oferecido
O orçamento previsto divide R$ 6 milhões para Auxílios à Pesquisa Regular e R$ 15 milhões para Projetos Temáticos. As submissões abrem em 5 de novembro de 2026 e encerram em 22 de fevereiro de 2027. São recursos oferecidos para seleção: não equivalem a pagamentos realizados, contratos já assinados ou benefícios econômicos comprovados.
O edital contempla desenvolvimento tecnológico, viabilidade econômica e impactos socioambientais. Na modalidade regular, prevê projetos de dois a três anos e até R$ 200 mil anuais; nos temáticos, cinco anos e até R$ 5 milhões. Os limites têm condições específicas no documento, que deve prevalecer sobre qualquer resumo.
Aplicação possível, não resultado demonstrado
A leitura da VAELITH é que a infraestrutura pode aproveitar essa agenda ao pesquisar formas de compartilhar cadastros, registros de inspeção e histórico de manutenção. Essa é uma possibilidade de aplicação, não um projeto de engenharia identificado como financiado pela chamada. Tampouco significa que todo software aberto seja automaticamente adequado a medições contratuais.
Um teste pequeno poderia acompanhar um único ativo: exportar seus registros, importar em outro ambiente e verificar se datas, responsáveis, unidades, anexos e versões continuam compreensíveis. O critério útil seria a informação preservada, não apenas a existência de um botão de exportação. Perder a relação entre documento e revisão pode tornar um arquivo tecnicamente aberto pouco útil para quem recebe a obra.
O edital dá um sinal relevante ao exigir, nas situações especificadas para apoio à produção de software, planejamento de testes, documentação, licenciamento, versões e manutenção. Isso ajuda a deslocar a conversa da demonstração visual para a continuidade do serviço.
Código aberto não elimina custo operacional
Como recomendação editorial, uma avaliação para uso em obras deveria orçar migração, treinamento, hospedagem, suporte e atualização. A ausência de licença proprietária não permite presumir custo total zero. A comparação precisa usar o mesmo escopo e período, incluindo quem responde quando houver falha.
Antes de ampliar a adoção, também cabe testar permissões e a recuperação dos registros. Interoperabilidade não significa tornar documentos restritos públicos. O ganho possível é reduzir dependências e preservar a memória técnica; esse ganho ainda teria de ser medido em uma aplicação real.
Fontes consultadas
FAPESP — Chamada de Propostas FAPESP/MCTI/MCom/CGI.br 2026 — 15/10/2026; consulta em 28/10/2026
Edital nacional apoia pesquisa em software livre; para a construção, a oportunidade depende de testar troca de dados, manutenção e continuidade, não apenas criar uma tela nova.
